Apresentação

 

       A Conferência “A Receção Internacional da Obra Literária de José Saramago” insere-se no Ciclo das Conferências Itinerantes “Escrevo para Compreender” dedicadas ao centenário do escritor português e Prémio Nobel de Literatura Jóse Saramago e organizadas ao longo de 2022 pelas Cátedras Jóse Saramago da Universidade de Vigo, da Universitat Autònoma de Barcelona, da Università degli Studi Roma Tre e da Universidade de Sófia Sveti Kliment Ohridski.

       Propondo-se celebrar a herança literária de José Saramago, que pela ampla divulgação internacional por meio de numerosas traduções e de variados estudos académicos constitui um património mundial, a Conferência de Sófia pretende contribuir para o debate sobre a receção dos textos de José Saramago fora de Portugal, cartografando as traduções, os estudos crítico-literários e os cursos académicos no estrangeiro dedicados à obra do escritor, como também refletir sobre as diversas formas em que as obras de José Saramago fecundam outras literaturas, gerando intertextualidades e novas interpretações da representação de Portugal e sua literatura. A Conferência pretende colocar em foco, entre outras, questões como os aspetos da transcodificação ou das transferências interlinguísticas e interculturais que as traduções dos textos saramaguianos motivam; os desafios e perspetivas do estudo e da tradução da obra do escritor; o estatuto, as funções e as repercussões das obras de Saramago nos sistemas literários de chegada; a maneira como a receção da sua obra se articula com a constituição do cânone da Literatura Portuguesa no estrangeiro.

       Num texto em memória do seu tradutor italiano Giovanni Pontiero, escreveu Saramago: “O diálogo entre o autor e o tradutor, na relação entre o texto que é e o texto a ser, não é apenas um diálogo entre duas entidades individuais que hão de completar-se, é sobretudo um encontro entre duas culturas coletivas que devem reconhecer-se”. Considerando que a receção de uma obra literária passa igualmente pelos conceitos de universalidade e de singularidade, instiga-se a reivindicar a função dos tradutores e estudiosos estrangeiros como intérpretes de culturas e mundividências que acrescentam novas dimensões e sensibilidades à obra de José Saramago, reforçando assim sua transcendência humana e assegurando a presença permanente do seu legado literário junto a novas gerações de leitores pelo mundo.